É dia de feijoada!

Hoje é dia de feijoada. Diferentemente dos bares e restaurantes populares, em que dia de feijoada é quarta-feira e sábado (pelo menos em São Paulo), no bandeco, dia de feijoada é sexta-feira. Mas não toda sexta-feira (tá pensando o quê, cara pálida!). Em verdade, temos o referido prato apenas uma ou duas vezes por semestre (às vezes, zero vezes por semestre). E por que sexta-feira? Porque o campus está bem mais vazio do que de costume, pois muitas pessoas voltam para suas cidades de origem.

É sempre uma ocasião especial. Quem já viu, sabe. Nem vendem entradas para não-estudantes. As pessoas trazem suas melhores farinhas, farofas, Coca-Cola e o que mais acharem de interessante para “embelezar” seus almoços (e jantas). Aliás, dia de feijoada é um dos únicos dias em que a janta é igual ao almoço. As pessoas ficam mais inspiradas, muitos dos que não costumam frequentar o bandeco vão lá neste dia, e vão aos montes. As filas duplicam, triplicam. Tudo isso por causa de uma iguaria criada por escravos. Interessante, não?

Mas nem tudo é conto de fadas. Há algumas semanas, o cardápio programado era (adivinha!) feijoada. Eu, como um mero mortal comum, dirigi-me ao estimado bandeco e eis que me deparei com algo: não havia feijoada! De fato, não havia almoço algum! Vi as pessoas desoladas, perdidas, sem saberem o que seria de suas vidas, temerosas quanto ao futuro incerto. Internamente, pânico geral; externamente, uma expressão de dúvida inexprimível. Elas se entreolhavam, atônitas… decepção.
Horas depois, descobri o que ocorrera: a máquina de lavar as bandejas havia quebrado e os funcionários não dariam conta de lavá-las manualmente, ainda mais num dia de feijoada. Quando fiquei sabendo disso, a frustração que sentira outrora cedeu espaço para simpatia pela causa dos pobres trabalhadores. O DCE (você acha que eles ficariam de fora dessa!) organizou cartazes e manifestações em prol dos funcionários (e contra o REItor (pra variar)). De fato, o bandeco é um baita instrumento alimento-político. Experimente deixá-lo fechado por alguns dias pra ver no que dá!

Mas os acontecimentos excepcionais não pararam por aí. Depois de alguns dias funcionando “mais ou menos”, adentrei o referido recinto sem saber o que me esperava. Estupefato, fiquei sem ar por alguns milissegundos, olhos esbugalhados. Esfreguei-os para me certificar de que não dormia. Não, não era sonho. Os outros frequentadores, que também aguardavam na fila, comentavam, olhavam novamente para conferir. Burburinho. O destino que nos aguardava estava ali, bem ali na frente. E quando fomos pegar nossa bandeja… pratos! Pratos de porcelana no bandejão! BANDEJão! Sim, sem dúvida, foi um momento difícil de crise de identidade para meu restaurante preferido.
Por mais que pareça bom ter pratos lá, acredite em mim: não era! A logística do bandeco não foi concebida com pratos em mente. Era um deus-nos-acuda para segurar o prato, a sobremesa e ainda [tentar] pegar os talheres e o guardanapo. Algumas pessoas que nunca vão no bandeco foram lá só por causa dos pratos (vide comentários).
Mas isso foi apenas mais um capítulo na história desse gigante patrimônio dos universitários (e por que não da humanidade!). Algumas semanas após o incrível ocorrido, as boas e velhas bandejas novamente deram as caras (para a felicidade dos que não estavam a se alimentar direito – como eu).
E duas semanas após o retorno das operações ordinárias, o prato constante no título deste artigo também deu as caras (dessa vez, para a felicidade geral da nação!). Hoje é dia de feijoada! Então, com sua licença, vou garantir minha segunda porção dela na janta…

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5 Responses to “É dia de feijoada!”

  1. Victor Pompêo Says:

    Que poético =)
    Mas eu curti os pratos! Eram secos, veja que incrível!

    • slackhideo Says:

      Haha, obrigado.
      Isso é verdade: os pratos estavam secos. Mas, pra mim, eram pequenos, rasos e … estranhos ao bandeco😄

  2. Alexandre Says:

    Post engraçado, ainda que um tanto obscuro para os de fora…

    Sei que serei injusto e irrealista, mas atualize mais o blog! hauehuaehuaueha

    Abraço!

    Alexandre

  3. Vitor Says:

    Uau, isso que é poesia em prosa=O Tinha ficado sabendo da crise de identidade do Bandeco, mas bem por cima, valeu pelos esclarecimentos XP

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