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2013年度全伯大学生サンパウロ研修

2013/03/03

今年の一月二十一日から一月二十五日まで国際交流基金の主催された「全伯大学生サンパウロ研修」に参加しました。日本語が大好きだからこの研修を好きにならないわけではないでしょう。
A組は六人でした:ベアトリスさん、ルシアナさん、ユミさん、タイスさん、チエミさんと私でした。「両手に花」という表現を習いました。五人の女性と一人の男性の私だったからです。この表現は日本人が教えてくれました。前向きに役に立つ表現ですね。
A組の私達は同じ宿屋に泊まっていました。日曜日の夜宿屋に着きました。

翌朝まだ出会えずに基金に行ってそこで出会いました。ルシアナさんとチエミさんは既に着いていました。ベアトリスさんとユミさんとタイスさんは私の着いた時間の少し後に着きました。彼女達が遅れたのは道に迷ってしまったからです。少なくとも新聞売場のおじさんと知り合いになりました。
初めての授業は皆さんの自己紹介があって、すぐ麻樹先生と勉強することに移りました。その後は真由美先生と日本文化について習いました。すべての授業は全く日本語で全然平凡ではありませんでした。意欲が湧きましたよ。
昼食の時間にショッピングセンターに行って一人一人食事にしました。その時私が凄くゆっくり食べることはばれました。けれどユミさんもゆっくり食べるのは明らかにしました。安心。私だけではありませんよ。のろい一対でしょう。
当日の最終活動は浴衣を着ることでした。大変面白かったのです。皆さんは中々可愛かったです。
宿屋へ帰る途中で皆さん一緒に夕食しようという提案をして承諾されました。従って夜「すきや」に行って牛丼を食べました。ルシアナさん はおばさんと一緒だったから私達と一緒に夕食できませんでした。当夜ユミさんが前夜冷たい水でシャワーを浴びたことが分かりました。ガス・シャワーだったから流行の電気シャワーと調整は違います。私、調整ができるまでいつもより時間が掛かったが結局水温はちょうどよかったです。

火曜日の朝私達朝食を一緒に食べられました。その後一緒に基金に行きました。研修が終わるまで毎日朝食してから一緒に基金に行こうとしました。
一限目は聴解でした。私はヘタクソでした。大部分分からなくて間違った回答は多かったです。少なくともいくつかの弱点を見つけられました。
そして昼食後日本文化についてまた勉強しました。今日のテーマは「トイレ」でした(昼ご飯を食べたばかりなのに)。面白いことが分かりました。例えばお風呂・トイレ離れや音姫やトイレ風水と金運の関係です。伯国で見たことのない物事です。或る調査によると日本で部屋を借りる時、場所や値段以外の最も大切なこだわりポイントはお風呂・トイレ別だということです。伯国の家族の習慣についても習いました。本当に面白くて勉強になりました。気になることも知りました。それは日本文化の授業を基づいて質問を思いついて日本人とインタビューをすることです。当然に心配になりました。
こんな悩みがあってもユミさんとタイスさんと私はリベルダーデ区に遊びに行きました。ベアトリスさんは漢字についての論文を書くように宿屋にいました。ルシアナさんはまたおばさんと一緒にいました。チエミさんは数日前リベルダーデ区に行ったからまた行きたくありませんでした。私達三人リベルダーデ区を回って新しい店を知って買い物をしました。ユミさんはたーさくん物を買ってしまいました。そして美味しそうで安い料理屋を探しに行きました。結局いい処を見付けました。「えびす」という料理屋です。素敵な夕食でした。
宿屋に帰って質問のことに戻りました。一人一人日本文化の授業のテーマを選ぶはずで、「結婚」にしました。実は他のがもう選ばれていたからです。

水曜日です。当日の勉強は漢字で始めました。二つの漢字の授業でした。組の中で私だけしか漢字好きな人は多分いませんでした。 タイスさんは漢字が好きだったため、日本語の勉強をし始めて後は漢字があまり好きじゃくなったことが分かりました。気の毒ですね。一方組の皆さんは仮名ばかりの文書が読みづらいと認めました。
授業の後は模擬インタビューでした。本当に助かりました。質問を整えられました。そして昼食で、その後…。私達は部屋の中で日本人を待っていた間にすごく緊張になってしまいました。実は皆さんは悩んでいたそうです。
日本人が部屋に入った瞬間は顔を見て安心になりました。想像時間終了でした。インタビューは私達・日本人一対一で十五分を経ったら席を変えました。日本人全員と話すためでした。最初は少し怖かったが結局インタビューはすごく楽しくて素晴らしい体験になりました。たくさんげらげら笑いました。ユミさんが私の笑いに煩わされてしまったそうです。あぁ、ごめんなさい!大変なのは日本人の答えがうまく書き取れませんでした。そんな予感がしました。会見者能力不能ではないか。
インタビューが終わってからコーヒーブレイクがありました。緊張せずに日本人と何でもについて話し合ういい機会でした。サンパウロ新聞で働くように伯国に来た二人の記者と話したばかりです。とても親切な人間です。インタビューで私達の行動についてコメントを書いてくれました。大変参考になりました。
当夜、私達はいい食べられるところを探しに出掛けました。多分一時間以上探しました。人は決めるのが嫌いようですね。私もそうです。煎じ詰めるとパウリスタ通りにあるショッピングセンターで夕食しました。夕食中チエミさんが私そっくりなバウル市の友達がいることが分かりました。顔だけじゃなく、笑い方や日本語の話し方もそっくりだということです。すごいですよね!
それに、私が「やばい」という表現を使いすぎていたから友は怒って私を殺してみたかった… 冗談です。研修の初の日、先生が「やばい」について少し説明してくれたからこの表現は想いに残ってしまったし、意味がいっぱあるから何度も使いました。なんて面白い表現でしょう。

翌日の最初の授業はまた聴解でした。けれど前回よりもっと理解できて嬉しかったです。授業の大部分は数についてでした。全然簡単ではない内容です。後は発表についての授業でした。そうそう、インタビューだけじゃなく、日本人の答えを纏めて原稿を書いて発表をしなければいけませんでした。一度も会わなかった人達の前で発表です。緊張緊張です!
ヘタクソな書き取りだったから原稿を書くのが本当に大変でした。書かれていなくて記憶にまだ残していた答えは役に立ちました。
当日の夕食は研修の一番早くて、研修の一番眠れなかった夜です。三時間ぐらい寝ました。日本語で多少の長い文書を書くの複雑さが分かりました。

そして…研修の最終日です!つまり、発表の日です。そのため、私達は明らかに心配していました。朝から正午までは原稿を書き終ったり予行演習したりする時間でした。日本人の先生と伯人の先生は私の原稿を読んで改正してくれました。そしてできるだけ諳記してみました。全く読むのが避けたかったです。私達、場当たり稽古をしました。ドキドキしたからなかなかうまくなかったです。それでも、大事な演習でした。決戦は近づいていました。十五時半になりました。発表の時を告げました!「やるしかない」の時間でした。一週間勉強してきて本番が来ました。怖かったよ!
麻樹先生は楽観的でしたが私は自信を持っていませんでした。ベアトリスさんから始まりました。日本人が大学の卒業をしてすぐに仕事を始めることについて講話しました。そして私の出番でした。インタビューされた日本人の結婚についての意見と私の感想を発表しました。当然にいくつかの間違いを犯してしまいました。それなのに最も大事な点を伝えられたと思います。講話の後は傍聴人の質問の時間で、私のヘタな日本語で答えてみました。面白くて前以って考えなかった質問でした。そしてルシアナさんが発表しました。銭湯や温泉で人前で裸になるという問題などについて講話しました。その後ユミさんでした。日本での贈り物習慣について講話しました。そしてチエミさんの出番で、日本の学生と教育について講話しました。最後はタイスさんの発表でした。夫の小遣いについて講話しました。
心臓麻痺や失神などの問題は起きなかったから発表会は成功だったと思います。二日前インタビューで出会った記者の川口さんも行ってくれました。ありがとうね、川口さん!
読みたかったら、原稿はここです。
発表会の後で懇親会がありました。すごく安心になりました。私達と先生方と関係者の全員の努力のお蔭でできました!皆様は生きています。
本当に刺激の多くて素晴らしい一週間でした。日本人とインタビューや人前で講話できてとても嬉しいです。素敵な人達と仲良くする機会でした。大切にする体験です。忘れられない想い出がいっぱいできました。そして成長した気がします。
国際交流基金やウニカンピの日本語の先生方や友達に有難いです。全員のお蔭で夢が実現できました。ぞっこんありがとうございます!
他人がこんな研修に参加できるように希望します。
これで、研修で習った表現を使って終わりにしようと思います。以上です。

浴衣写真

浴衣写真

Programa de Incentivo aos Estudantes de Língua Japonesa para Universitários

2013/02/01

Na semana passada, tive a oportunidade de participar do Programa de Incentivo aos Estudantes de Língua Japonesa para Universitários oferecido pela Fundação Japão de São Paulo.
Não é difícil imaginar que eu adorei, né. Mas confesso que foi bem diferente do que esperava (o que não é uma coisa ruim). Na verdade, nenhum de nós, que participamos do programa, sabia bem como seria e, portanto, ficamos surpresos quando descobrimos.
Éramos seis (como na clássica novela homônima) na turma A: Beatriz, Luciana, Solange, Thais, Tiemi e eu. A distribuição entre os sexos ficou desequilibrada, mas foi algo… inesperado, do destino, um presente de Deus (como lhes falei uma vez) ou sei lá. Ano passado, a situação foi contrária – cinco meninos e uma menina (vendo por esse lado, até que não foi tão ruim eu não ter participado da edição anterior).
Ficamos todos num mesmo hotel. Beatriz, Solange e Thais num quarto, Luciana e Tiemi noutro e eu num outro.

Cheguei lá no hotel altas horas no domingo (em verdade, quase não era mais domingo) e acabei não as conhecendo neste dia.
Devo dizer que é um tanto estranha para mim a sensação de me hospedar num hotel. É apenas a segunda vez que o faço (a primeira foi em 2010), por isso deve ser meio natural tal sensação. Bateu um estranho sentimento de liberdade e de autonomia, mesmo sabendo que não era bem assim. Parecia um outro mundo. Apartado. Eu num mundo estranho. Provavelmente, era simplesmente falta de costume.
Fiz um reconhecimento em tudo que pude, até li um pequeno manual sobre as facilidades do local e o comportamento esperado dos hóspedes. Detive-me um tempo na TV a cabo. Comecei a passar de canal em canal procurando algo que parecesse interessante. Nada. Muda de canal. Nada. Muda de canal. Nada. Até que lá pelos cento e poucos, pensei: ah, vou colocar na NHK para já entrar no clima! Procurei até encontrá-la no canal 147, porém… não estava pegando! Caramba. Que desapontamento. Bom, esqueçamos a TV. Vamos pro banho – pensei. Depois de mourejar com o sistema de aquecimento a gás, consegui tomar um grande banho (embora o espaço fosse minúsculo). Então, arrumei mais algumas coisinhas e caí na cama.

Na manhã seguinte, cada um dos três quartos se organizou independentemente para ir à Fundação. Conhecemo-nos lá. A Luciana e a Tiemi já tinham chegado quando cheguei e um tempinho depois chegaram Beatriz, Solange e Thais, que haviam errado o caminho para a fundação. E este foi o primeiro assunto do grupo.
Na primeira aula, rolou uma apresentação de todos: professores, nós alunos e até do diretor-geral da Fundação Japão em São Paulo, o sr. Akira Fukano. Tudo em japonês. E ficaria um bom tempo sem ouvir uma palavra sequer em português. Naquele momento, percebemos que ia ser exigente a parada. E ainda não tínhamos visto nada.
Na hora do almoço, fomos todos juntos ao shopping e lá cada um buscou sua refeição. Nesta ocasião, descobriram minha velocidade “lesmoide” para comer. Mas também descobriria que a Solange come quase tão lentamente quanto eu (ganhei dela em uma ocasião).
De volta aos estudos, tivemos uma aula com um professor japonês que não falava nada de português! No começo, demorei um pouco para entrar no ritmo dele, mas depois ele se tornou um dos meus professores preferidos. Muito paciente.
Para terminar o dia, tivemos uma experiência cultural: vestir yukata. Na hora de tirarmos fotos com os trajes, foi uma enxurrada de risos com os comentários das professoras. Até inventaram um nome pro grupo: Tiago e as Tiaguetes. Foi absurdamente cômica esta “aula”.
No caminho de volta pro hotel, sugeri que jantássemos todos juntos (exceto a Luciana, que tinha saído com sua tia). E assim foi feito. Foi uma boa oportunidade para socializarmos.
A lição de casa do primeiro dia nos esperava. Tratava-se de ler um ou mais textos (correlatos) e explicá-los para todas as outras pessoas, além de apontar fatos curiosos ou comentários pessoais. Tudo em japonês, claro. Mais tarde, saberíamos o temível motivo para tal lição de casa.
Uma boa notícia é que a NHK pegou hoje. Não sei se é impressão minha, mas parece que boa parte da programação é constituída de sumô. Durante a semana inteira, assisti um pouco sobre esta modalidade sobre a qual nada entendo. Até que tinha uns lances bem… interessantes.
Eu que achei que iria conseguir dormir mais do que na noite anterior, enganei-me…

Na manhã de terça-feira, tomamos café da manhã mais ou menos juntos (cada quarto descia num horário, mas nossos horários eram similares), prática que se seguiria até o último dia de curso. E fomos juntos para a fundação (o que também se seguiria nos dias seguintes).
Logo na primeira aula, tomei uma lavada da compreensão auditiva. Não consegui entender o suficiente dos diálogos e, por conseguinte, errei muitas das perguntas. Porém, foi bom isso. Percebi onde estão algumas de minhas deficiências. Para eficientemente combatermos um inimigo, precisamos conhecê-lo bem, certo? E esta aula serviu como uma incursão ao território inimigo, onde [creio que] consegui coletar informações importantes sobre suas atividades.
Seguiram-se mais aulas sobre a cultura japonesa, inclusive aquela da lição de casa. Não foi exatamente fácil explicar os textos, até porque o esperto aqui não fez nenhum tipo de anotação, nem sublinhou partes importantes dos textos (como minhas colegas fizeram). O tema era banheiro (e foi logo em seguida do almoço). Então, aprendi coisas interessantes sobre isso. Por exemplo: você sabia que, no Japão, o banho é tomado num cômodo e as necessidades fisiológicas, feitas noutro cômodo? E que, excluindo questões básicas como preço e localização, esta separação é a principal preocupação dos japoneses (segundo uma pesquisa de 2011) quando vão alugar uma casa? Eu não sabia. E aprendi mais também sobre a diferença de hábitos entre as famílias brasileiras.
Todas estas aulas sobre a cultura japonesa tinham um outro propósito, além da pura e simples transmissão de conhecimento. Esse outro propósito era que escolhêssemos um tema sobre o qual deveríamos elaborar questões para uma entrevista com japoneses! Fortes emoções, não? Claro que todos ficamos preocupadíssimos. Não sabíamos nem fazer direito uma entrevista em português…
Porém, esta preocupação não impediu a Solange, a Thais e eu de irmos passear um pouco na Liberdade (a Beatriz ficara no hotel escrevendo sua tese sobre kanji, a Luciana saíra novamente com sua tia e a Tiemi não quis ir porque tinha estado lá dias antes). Conheci algumas lojas novas (pra mim), compramos algumas coisas (exceto a Solange, que comprou muitas coisas!) e rodamos por lá em busca de um restaurante agradável (ao paladar e ao bolso, principalmente) para jantarmos. Encontramos um bom lugar, chama-se Ebis. Foi um jantar muitíssimo agradável, devo dizer.
Voltando ao dormitório, trabalhamos nas questões da temida entrevista. Meu tema foi casamento. Por que este tema? Porque foi o que sobrou. E escrevi isso na apresentação (ops, isto é cena dos próximos capítulos).

Chegamos na quarta-feira com duas aulas seguidas sobre kanji! Embora somente eu tenha exultado com isso. Minhas colegas não apreciam muito estes milhares de ideogramas mágicos e incríveis. A Thais nos disse que começara o estudo do idioma japonês devido ao kanji, mas que depois tinha perdido este amor pelos ideogramas chineses (puxa, que pena!). Apesar de ninguém ali (além de mim) morrer de amor por kanji, reconheceram sua importância como facilitador na leitura, já que um texto escrito somente com hiragana e katakana é um suplício de ler (sem falar que ocupa um espaço incrível).
Depois, seguiu-se uma simulação da entrevista, que foi muito útil. Em seguida, o almoço. E então… passamos por maus bocados nos minutos finais da espera pelos japoneses. O nível de tensão na sala era absurdo. No nível de soltar sorrisinhos de desespero.
Quando eles finalmente entraram e as entrevistas começaram (cada um de nós entrevistava um ou dois japoneses), senti um alívio indescritível. Pra ser muito sincero, até me diverti bastante no processo (o que, descobri depois, incomodou uma amiga que não conseguiu relaxar mesmo durante as entrevistas). Nós fazíamos um esquema de rodízio para conversarmos com todos os japoneses. Eu e os japoneses que entrevistei demos muitas risadas. Foi muito legal! O problema foi que acabei não conseguindo anotar muito bem as respostas deles (uma questão que já prevíamos), pois não queria (e não deveria mesmo) deixar de dar atenção a eles e o tempo, que antes parecia ser enorme (quinze minutos), era pouco, de fato. Não consegui fazer todas as perguntas para nenhum deles…
Logo após as entrevistas, tivemos um cafézinho para conversarmos com os japoneses sem a pressão da entrevista e sem grilhões quanto a assunto. Agora, mais relaxados, conseguimos aproveitar melhor a conversa. Eu falei mais com dois jornalistas que vieram trabalhar no jornal São Paulo Shimbun. Ambos muito gentis. Aliás, todos os japoneses que vieram para as entrevistas são muito gentis e pacientes. Até nos deixaram comentários sobre nossas posturas. Foi um grande aprendizado.
Na hora da janta, andamos acho que mais de uma hora só procurando um lugar para comermos. Foi aí que percebi que existem pessoas mais indecisas e que gostam menos de fazer escolhas do que eu. Por fim, comemos num restaurante que se dizia de comida chinesa mas que tinha muito pouco de chinês. A vida é feita de altos e baixos né. Mas nessa janta, descobri que a Tiemi tem um amigo em Bauru que, segundo ela (e uma amiga sua que me viu noutro dia), é incrivelmente parecido comigo. Não só na aparência, mas no jeito de rir, de falar japonês… É verdade que não é novidade eu ser até confundido com outras pessoas (como um camaleão humano), mas essa semelhança me assustou um pouco. Como pode?
Além disso, minhas caríssimas colegas queriam me exterminar por que ficava usando やばい (uma expressão vista no primeiro dia do curso) toda hora e em várias situações. A questão é que tal expressão realmente tem muitos significados entre os listados no dicionário e gírias.

No dia seguinte, a primeira aula foi novamente de compreensão auditiva. Mas, desta vez, consegui compreender bastante, apesar de boa parte da aula ter sido devotada aos números japoneses – assunto que estou longe de dominar. Provavelmente, devido ao sistema de contagem japonês agrupar os números de quatro em quatro, enquanto nosso sistema os agrupa de três em três. Por exemplo, nosso “100.000” (cem mil) fica, em japonês, “10,0000” (十万, juu man, ou dez vezes dez mil), embora não creio que eles escrevam explicitamente com quatro casas de separação (é mais uma coisa a se pesquisar). Acho que escreveriam “100,000” mesmo, mas o jeito de pensar é usando a separação de quatro dígitos (no caso, múltiplos de dez mil em vez de múltiplos de mil, como fazemos).
Depois, tivemos aulas sobre apresentação de trabalhos. Sim, não bastava a emoção de entrevistarmos japoneses, teríamos que apresentar o resultado das entrevistas e nossas conclusões para pessoas que nunca tínhamos visto na vida (inclusive, mais japoneses, claro).
Devo dizer que foi uma tarefa meio hercúlea extrair informações das minhas parcas e porcas anotações do dia anterior. O plano foi aproveitar as respostas e comentários que ainda estavam razoavelmente frescos na memória e mandar ver no texto da apresentação.
Nesse dia, jantamos rapidinho para podermos terminar o texto. Foi a noite em que dormi menos – cerca de três horas de sono. Foi bastante difícil criar em japonês, pois não é uma coisa com que tenha muita experiência.

No último dia de curso, as tensões de todos se afloraram. Tivemos até à hora do almoço para terminarmos nosso discurso e ensaiá-lo. Um professor japonês e uma professora brasileira leram o meu texto e sugeriram correções. Com o texto pronto e revisto, minha maior preocupação era decorar o máximo possível para não ter que ficar lendo muito na hora da apresentação. Fizemos um ensaio geral, pois também seríamos os apresentadores dos nossos colegas. Meu ensaio foi horrível, ficou claro para mim.
Bateram quinze e trinta no relógio. Hora do “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. Bastava olhar para a expressão facial de qualquer um de nós para ver a tempestade que nos chacoalhava por dentro. É a hora do やるしかない!(algo do tipo “não tem jeito, vamos ter que fazer isso”).
A professora Maki tinha mais confiança na gente do que nós mesmos. Começou pela Beatriz (que discursou sobre os japoneses começarem a trabalhar logo em seguida da formatura na faculdade), depois fui eu, que discursei sobre minhas percepções acerca das respostas dos entrevistados e sobre o que aprendi com relação ao casamento no Japão. Claro que eu cometi alguns errinhos. Inclusive, num deles, uma moça deu uma risada. Bom, pelo menos ela estava prestando atenção. Depois da minha apresentação, respondi às perguntas da plateia com meu japonês zambeta. As perguntas foram interessantes e eu não tinha respostas prontas para elas, mas acho que consegui transmitir o que penso e o que sinto. Depois de mim, foi a vez da Luciana (que discursou sobre os japoneses tomarem banho com pessoas desconhecidas nos banhos públicos e em termas), depois foi a Solange (que discursou sobre as datas em que os japoneses costumam dar presentes e sobre os presentes), em seguida a Tiemi (que discursou sobre a educação no Japão e os estudantes de lá) e, por fim, a Thais (que discursou sobre o hábito de as mulheres cuidarem das finanças da casa e darem uma mesada para os maridos).
Bom, ninguém ficou pra sempre no modo pânico, nem teve um piripaque na hora e nem desmaiou. Logo, considero o evento um sucesso.
Tinha até um japonês que me conhecera dois dias antes, na entrevista. Ele foi nos prestigiar naquele delicado momento de nossas existências. Obrigado, Kawaguchi-san!
Para quem quiser ver, meu discurso está aqui.
Após as apresentações, houve uma confraternização com todo mundo. Com certeza, a palavra que nos descrevia melhor era “alívio”. Depois de muito esforço de nossa parte, dos professores e de todos os envolvidos, chegamos vivos ao fim.
Foi uma experiência bastante enriquecedora tudo o que vivi nesta semana. Agora que passou, vejo como foram fantásticas experiências as entrevistas com os japoneses e a apresentação para o público. Não é algo que se pode fazer todos os dias. E levo comigo muitas boas lembranças e muito aprendizado. Um deles é que descobri que consigo conversar com um japonês somente usando japonês. É óbvio que não sei muitas palavras e estou bem longe da fluência, mas é possível uma comunicação efetiva e prática, o que já é uma grande coisa.
Fico muitíssimo grato à Fundação Japão pela oportunidade ímpar e espero que muitos outros estudantes do idioma japonês tenham a felicidade de participar deste programa.
Com isso, encerro este artigo usando uma expressão que aprendi no curso. 以上です。

Turminha do barulho

Turminha do barulho

また新年

2013/01/05

平成二十五年の第一投稿は日本語です!先ず、新年明けましてお目出度う御座います!
今年沢山日本語を勉強する積もりなんです。特に今月。国際交流基金の日本語講習会に参加するから。楽しみにしています^^
当分其の講習会に準備しています。講習会が終わってから、私は此処に又書きます。
其れでは、勉強に戻りましょう!

Adeus ano velho, feliz ano novo…

2012/12/31

Pois é, mais um ano se foi. Mais trezentos e sessenta e cinco dias adicionados à nossa existência. Você estabeleceu objetivos para 2012? Se sim, conseguiu atingi-los? Não vá me dizer que acabou se esquecendo de quais eram…

Aproveitando o momento, faço também meu balanço do ano (bom, se as lojas o fazem, por que eu não poderia?). Não vou me ater a acontecimentos pontuais (até porque, infelizmente, não tenho diário (já até tentei escrever durante um tempo, mas a disciplina me foi insuficiente), o que me impedirá de, daqui a vinte anos, ler alguns acontecimentos incríveis da vida e cair na nostalgia (ou lembrar com um sorriso)), mas sim considerar grandes blocos de tempo neste ano.

Não sei se posso classificá-lo assim, mas acho que foi um ano “inesperado”, no sentido de que fiz muitas das coisas que sempre vim fazendo há alguns anos, porém desafios inauditos se apresentaram, acontecimentos de que nem suspeitava.

Foi um ano de sorrisos, lágrimas, falhas, estudo, amizade, paixões, desilusões, consolo, perdão, dedicação, medo, regozijo, suor, oração, encontros, despedidas, abraços, velocidade, saudade…

Vi amigos irem ao exterior para lá estudar, vi amigos voltarem do exterior, fiz amigos de outra nacionalidade, revi amigos que há muito não via, consegui sucessos inéditos e tentei me dedicar mais ao próximo.

Da importância da amizade certo estou de que pouquíssimos ousam duvidar, entretanto neste ano tive uma forte consciência do papel central e insubstituível que ela exerce em minha vida. De amigos de verdade estou falando, daquelas pessoas que não passam por nossas vidas sem nos deixar um pouco do melhor de si, bem como deixamos com elas o que temos de melhor.
Isso me lembrou de uma linda canção do Flecha dos Pampas (que faleceu neste ano) intitulada “Eterno Mendigo”:

Nada neste mundo está perdido
Tudo tem valor no bom sentido

Tudo recebo com prazer: amor, rancor, justiça, calúnia
Mas tudo incrementa meu viver

O que recebo de ruim guardo comigo
O que recebo de bom divido com os amigos

Por isso, sou um eterno mendigo
Mas é assim que consigo ser feliz

Toda vez que escuto esta canção no LP de 1980 do meu pai me emociono deveras e lágrimas correm como rios em mim. Acho que o fato de ter sido criado ouvindo tais LPs contribui para isso, mas a beleza da mensagem, pra mim, é indiscutível.

Falando em música brasileira, neste ano conheci mais da nossa cultura e passei a dela gostar ainda mais e a divulgá-la ainda mais, tanto para brasileiros como para estrangeiros. Sem demérito a nenhuma cultura, mas a nossa é uma das mais diversificadas que conheço. Fica aqui o convite para que neste ano que se inicia você procure se cientificar mais de nossa cultura. A música é, em minha humilde opinião, um ótimo ponto de partida.

Bem, espero que tenha aproveitado bastante este ano e que 2013 seja repleto de novas emoções e boas notícias. Não se deixe levar pelo pessimismo que pode tentar consterná-lo, mas acredite num amanhã melhor e, sobretudo, faça tudo o que puder para torná-lo realidade!

Um feliz ano novo para você e para seus entes queridos.
Até o ano que vem :)

Autoconfiança

2012/12/11

Fazia um tempinho que não precisava me aventurar pelo mundo dos exames na escola (mais precisamente, quase três anos). Porém, Análise de Algoritmos I quebrou este hiato. Logo que descobri que não escapara do inescapável exame, indaguei o professor sobre a possibilidade de um atendimento para tirarmos dúvidas antes da prova fatal (que, no momento em que escrevo isto, não fiz ainda). Falando no professor, ele é um distinto senhor (temido) conhecido por Rezende.
Pois bem, fui ontem no tal atendimento e lhe mostrei um algoritmo que tentei bolar. Depois de me fazer uma copiosa chuva de questões, às quais mal e mal respondi titubeante, ele virou e me disse: “Você, no fundo, quer que eu diga se isto que você fez está certo ou não” (ah não, como ele descobriu!?) E não parou por aí, continuou: “Você tem problemas de autoconfiança, precisa acreditar mais em si mesmo e no que faz” (caramba! como ele descobriu isso também!? Talvez ser professor exija mais habilidades do que supunha).
O fato é que ele estava absolutamente certo. E a falta de autoconfiança não me atinge somente nos algoritmos, mas na vida.
Todavia, como ser autoconfiante sem correr o risco de ser soberbo ou pretensioso? Eis questão.

É dia de feijoada!

2011/10/14

Hoje é dia de feijoada. Diferentemente dos bares e restaurantes populares, em que dia de feijoada é quarta-feira e sábado (pelo menos em São Paulo), no bandeco, dia de feijoada é sexta-feira. Mas não toda sexta-feira (tá pensando o quê, cara pálida!). Em verdade, temos o referido prato apenas uma ou duas vezes por semestre (às vezes, zero vezes por semestre). E por que sexta-feira? Porque o campus está bem mais vazio do que de costume, pois muitas pessoas voltam para suas cidades de origem.

É sempre uma ocasião especial. Quem já viu, sabe. Nem vendem entradas para não-estudantes. As pessoas trazem suas melhores farinhas, farofas, Coca-Cola e o que mais acharem de interessante para “embelezar” seus almoços (e jantas). Aliás, dia de feijoada é um dos únicos dias em que a janta é igual ao almoço. As pessoas ficam mais inspiradas, muitos dos que não costumam frequentar o bandeco vão lá neste dia, e vão aos montes. As filas duplicam, triplicam. Tudo isso por causa de uma iguaria criada por escravos. Interessante, não?

Mas nem tudo é conto de fadas. Há algumas semanas, o cardápio programado era (adivinha!) feijoada. Eu, como um mero mortal comum, dirigi-me ao estimado bandeco e eis que me deparei com algo: não havia feijoada! De fato, não havia almoço algum! Vi as pessoas desoladas, perdidas, sem saberem o que seria de suas vidas, temerosas quanto ao futuro incerto. Internamente, pânico geral; externamente, uma expressão de dúvida inexprimível. Elas se entreolhavam, atônitas… decepção.
Horas depois, descobri o que ocorrera: a máquina de lavar as bandejas havia quebrado e os funcionários não dariam conta de lavá-las manualmente, ainda mais num dia de feijoada. Quando fiquei sabendo disso, a frustração que sentira outrora cedeu espaço para simpatia pela causa dos pobres trabalhadores. O DCE (você acha que eles ficariam de fora dessa!) organizou cartazes e manifestações em prol dos funcionários (e contra o REItor (pra variar)). De fato, o bandeco é um baita instrumento alimento-político. Experimente deixá-lo fechado por alguns dias pra ver no que dá!

Mas os acontecimentos excepcionais não pararam por aí. Depois de alguns dias funcionando “mais ou menos”, adentrei o referido recinto sem saber o que me esperava. Estupefato, fiquei sem ar por alguns milissegundos, olhos esbugalhados. Esfreguei-os para me certificar de que não dormia. Não, não era sonho. Os outros frequentadores, que também aguardavam na fila, comentavam, olhavam novamente para conferir. Burburinho. O destino que nos aguardava estava ali, bem ali na frente. E quando fomos pegar nossa bandeja… pratos! Pratos de porcelana no bandejão! BANDEJão! Sim, sem dúvida, foi um momento difícil de crise de identidade para meu restaurante preferido.
Por mais que pareça bom ter pratos lá, acredite em mim: não era! A logística do bandeco não foi concebida com pratos em mente. Era um deus-nos-acuda para segurar o prato, a sobremesa e ainda [tentar] pegar os talheres e o guardanapo. Algumas pessoas que nunca vão no bandeco foram lá só por causa dos pratos (vide comentários).
Mas isso foi apenas mais um capítulo na história desse gigante patrimônio dos universitários (e por que não da humanidade!). Algumas semanas após o incrível ocorrido, as boas e velhas bandejas novamente deram as caras (para a felicidade dos que não estavam a se alimentar direito – como eu).
E duas semanas após o retorno das operações ordinárias, o prato constante no título deste artigo também deu as caras (dessa vez, para a felicidade geral da nação!). Hoje é dia de feijoada! Então, com sua licença, vou garantir minha segunda porção dela na janta…

Última postagem do ano

2010/12/31

Pois bem, no último dia do ano de 2010, a última postagem do ano.
Gostaria de agradecer a todos que visitaram este blogue, que leram as coisas que escrevi, que comentaram, enfim, que me apoiaram.
Não é difícil perceber que não escrevo com tanta frequência (porém, gostaria), mas tento sempre colocar coisas que acho interessantes (e que, com alguma sorte, alguém mais achará).
Por hora, gostaria de desejar um maravilhoso 2011 a vocês. Que um novo ano traga muitas novas realizações, desafios e motivações.

E pra animar, hatsune miku:

Minha tradução livre:

*Feliz ano novo!
Que este ano seja maravilhoso
Feliz ano novo!
Que eu possa estar contigo neste ano também
Feliz ano novo!
Que seja um ano divertido
Feliz ano novo!
Que eu possa estar com todos vocês neste ano também*

Aconteceram muitas coisas, não é?
Inclusive coisas tristes e dolorosas
Realmente aconteceram muitas coisas
Mas também coisas alegres e felizes, lembranças de todos

Para que eu também possa cantar
Para que eu também possa ser refletida em seus olhos
Todos vocês ficam ao meu lado me ajudando
Por isso muito obrigada

Feliz ano novo!
Que este ano seja maravilhoso
Feliz ano novo!
Que possamos nos dar bem neste ano também
Feliz ano novo!
Que seja um ano divertido
Feliz ano novo!
Que possamos cantar bastante neste ano também

O que será que nos aguarda?
Será que sempre estaremos juntos?
Há muitas coisas que não sabemos
Então, por hoje, cantemos todos juntos!

repete *

Feliz ano novo a todos!!!

Tomitinha e Vermelhinho

2010/08/20

Vermelhinho: Xupa Haiku!
Tomitinha: Xupa Slackware!!
Vermelhinho: Xupa Inkscape!!!
Tomitinha: Xupa Visual Novel!!!!

Vermelhinho faz cara de desapontado…

Um pouco de poesia

2010/03/12

\int_{nascimento}^{morte} (felicidades \times  sorrisos \times

\times lagrimas \times abracos \times amigos \times decepcoes \times

\times conquistas \times amor) \, d{momentos} = vida

Dica: se não está conseguindo resolver, use integração por partes e aproveite todos os momentos, dando um passo de cada vez. E seja feliz!

Balanço das férias

2010/02/19

Elas duraram, mas estão chegando ao cabo… aliás, isto me lembra uma frase que uma amiga minha me escreveu há alguns dias: “tudo tem que ter um fim, não é mesmo?”. Ela está certa. Por mais que relutemos ou não aceitemos, tudo chega ao seu fim (como o atento leitor já deve ter percebido, aqui não me refiro às férias). Ora doloroso, ora indiferente, ora de repente, ora o cabo vem antes do introito (desgraçadamente, sei muito bem o que é isso) e por aí vai.

Mas estas férias foram muito boas, mesmo. Grosso modo, posso dividí-la em dois momentos:

Esse trio vai longe!

Esse trio vai longe!

1) Amigos. Desde o início do recesso, combinei comigo mesmo que me dedicaria o máximo possível aos amigos, mormente aos mais antigos, com os quais acabo mantendo pouquíssimo (ou nenhum) contato durante o semestre letivo. Felizmente, consegui atingir tal intento, obviamente não foi possível rever todas as pessoas que gostaria, contudo fiz o possível.
Foi karaoke, parque, teatro, pizza, cinema, videogame, visita em casa e outros de que não me lembro agora.
Inclusive, recuperei uma amizade que estava bem longe (em vários sentidos) há anos. Isso me deixou muito contente, claro.

2) Compromissos. Desde alguns se arrastando desde o início do ano passado (sim! eu também me surpreendo) até os que surgem no dia. Afinal, quem é que não possui compromissos?
Dois deles me mantiveram ocupado por muito tempo: um curso de Telecomunicações e o livro de uma professora de japonês da Unicamp. Tive relatórios e prova do primeiro, além de ter que estudar bastante para conseguir fazê-los. Quanto ao segundo, estou auxiliando a professora na montagem do conteúdo do livro, o que, apesar de ser trabalhoso, traz-me copiosa satisfação, além de me trazer conhecimento também, o que nunca é demais.

Bem, acho que fiquei até mal acostumado, mas está quase na hora de voltar a mergulhar nos livros (para o maravilhoso mundo das integrais triplas, dos laplacianos, dos torques, dos gradientes, das derivadas direcionais,…).


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